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martedì, 24 novembre 2009
A Mesma Epifania ![]() Como quase sempre, tudo dá voltas para empacar nos mesmos lugares-comuns. O erro de sempre, a sombra de sempre, o sentimento de sempre. Acaba que os fins-de-anos amuam o ânimo e sempre se pensa nas coisas não-feitas, frases entaladas na garganta há anos - quase causando infecção de tanto tempo incrustadas feito catarro. As mesmas associações e símbolos, tudo igual mas diferente, acrescido de tempo e pó na estante das coisas que dóem o peito. E uma hora o touro que saiu desgovernado, chifrando os sentimentos e as coisas que ameaçam toda sua instável consistência, acaba encurralado em seu desatino e tudo que foi derramado de uma vez acaba cobrando a conta. Quando as ondas arrebentando a costa acuam os pés vacilantes, já não há mais nada o que fazer - mais uma vez, diga-se de passagem. Como não dá para acreditar em sina, culpa-se a própria culpa e a si mesmo por não conseguir contornar as situações mais lógicas e simples. Mas no fim das contas o que é mais lógico e simples tropeça em todos os porquês, variáveis, opções, esquemas táticos que falham ao tornar-se realidade. Por isso não se pode ser direto - nignuém tolera de peito aberto a verdade nua, apesar de que seria o melhor e mais correto. Só que a verdade é uma parede de concreto e (quase) ninguém está disposto a arrebentar a cara e ver o sangue jorrando dos cortes, e ver-se no espelho em toda sua pieguice, estupidez e/ou patifaria.
E no fim das contas, a epifania é essa: eu penso demais. Air - African VelvetPor filipetorres - 22:45 martedì, 03 novembre 2009
Febre nº2 E o pós-feriado, feito mão espalmada atingindo o rosto em fração de segundos, enerva o espírito e escalda o corpo com o vapor dos dias sem nuvens nem ventos. E as ziquiziras repentinas resultantes do contraste dos montes de comida devorados pela massa e a falta de prepararo para resistir o aquecimento global, implacável entre as bruscas variações. Cigarras chiando ao máximo e o cheiro de gordura queimada misturada ao inconfundível odor dos escapamentos dos carros e bocas feito escapamentos de carros entre os passos malemolentes, as tortas ve desfocadas silhuetas das pessoas. Cambaleante é o ar que se respira e os ruídos causados pelas coisas mais irritantes da vida (a exemplo, várias crianças reclamando simultaneamente). Sinuosos são os pensamentos nas horas erradas e todo tipo de consequência de atos não devidamente calculados. O nariz, revolto e mareado, não sabe se é melhor se comportar como nos habituais resfriados ou como o ímã de todos os odores exagerados. As únicas coisas devidamente registradas pelas pupilas e retina desnorteadas são o chorume que escorre do lixo recostado no poste e as formigas tomando para si os aposentos da casa, uma vez explusas do fundo de suas microcavernas pelo calor infernal. O melhor dos travesseiros e a brisa artificial de um ventilador ainda não trazem o alívio necessário, mas fazem bem para reduzir o desconforto os maus pensamentos. Há que se repensar a rotina.
Sonic Youth - SundayPor filipetorres - 23:05 martedì, 13 ottobre 2009
A outra janela (Monólogo 2) Do lado de fora, mais janelas espelhadas feito mil-olhos a observar o que há dentro de casa. Vai ver, por isso eu não gosto da cortina escancarada, avassalando os móveis e os hábitos dos que aqui habitam. Não que haja algo de imoral ou de valioso a ser escondido, mas me atormenta o fato de haver a possibilidade de a curiosidade de alguém atravessar um dos mil-olhos defronte a casa e atingir as particularidades daqui de dentro. Porque, mesmo sem a dita curiosidade, é inevitável que, por um mísero instante, o olhar daqui de dentro atravesse algum dos mil-olhos e veja a desagradável intimidade de outrem. Fechando a janela do escritório, outro dia, observei de relance que um vizinho via um filme pornográfico na sala de estar - coisa que seria impossível dentro de minha casa. Não que não ache natural o direito de alguém ver (e ser) o que quiser dentro de sua própria intimidade, mas a imposição de convivência social - este ente sobrenatural, responsável pelo surgimento dos monstros de concreto de mil-olhos, de uma maneira sádica, aproxima a "visão de dentro" ao exterior, avassalando os abalroados monstros de concreto e acertando as outras visões de dentro; e ainda impõe que não haja interferência alheia nas intimidades, paradoxalmente. Enquanto busco uma cura para a mania de fechar cortinas, basculantes e venezianas, a cada dia mais um demônio de mil-olhos cresce nas ruas - até o dia em que teremos de atravessar fisicamente as intimidades para acessar o logradouro público.
The xx - Night TimePor filipetorres - 10:00 |
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